Dezembro 17, 2007...4:07 pm

loosing my religion II

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Ontem, ao passar defronte a uma banca, a capa da revista Super Interessante ma chamou a atenção: sexo na igreja. Comprei o exemplar, e devorei a reportagem. Muito bem escrita, por sinal. E um conteúdo de nitroglicerina pura, ou seja, EXPLOSIVO!

Eu nunca defendi o ateísmo, inclusive porque acredito e confio nas forças superiores que nos regem… mas questiono o papel dos formadores de opinião religiosa, sejam eles padres, pastores, guias ou o nome que se dê a eles. E o triste é que muitos deles usam de suas posições e prestígio para serem acobertados em crimes hediondos, e na minha opinião, imperdoáveis. Falo como mãe, como educadora, como cidadã. Afinal de contas, saber que um filho foi molestado por um padre, por exemplo, seria intragável; creio que não só pra mim, como para qualquer cidadão em sua sã consciência.

A justiça? Muitos casos sequer passam pelo crivo da polícia. Segundo a reportagem, a igreja possue uma lei própria para condenar a estes casos, que no final das contas, resume-se em trocar os padres de localidade e acobertá-los de seus crimes. Criminosos, sim. Estupros, pedofilia, assédio sexual.

As famílias? A maioria delas aproveita-se da situação para extorquir dinheiro da igreja, o mesmo dinheiro que os fiéis pagam de dízimo, acreditando ser por uma causa nobre.

Este Deus seria o Deus dos justos, dos devotos? Não, creio que não. Ao meu ver, esta força que nos rege está muito, muito, muito mal representada. Anos de catecismo, e é isto que me resta? Acreditar que devo abaixar a cabeça e pensar: ‘ah, mas é assim mesmo…’. Não. Eu me nego a pensar assim. E nego pelo simples fato de que ainda acredito que há pessoas que pensam diferente, que enxergam com clareza os fatos, isentas da manta da mediocridade que veste, por vezes, grande parte da população.

Enquanto isso, o Bento XVI continua defendendo o sexo somente como forma de procriação e o celibato, e abolindo o uso de anticoncepcionais. Se todos soubessem que os padres foram proibidos de casar para não terem que dividir os bens materiais da igreja com suas famílias, talvez muitas pessoas mudassem de opinião. Mas, como esta mesma maioria tem preguiça de ler, estudar, e estar à par do que hoje está ao alcance de todos: a informação, provavelmente as coisas continuarão como estão.  Os bandidos continuarão ilesos, e os preguiçosos de raciocínio permanecerão sendo vítimas.

Triste, não?

2 Comentários

  • Tenho que concordar contigo. Essa ‘coisa’ de crime em instâncias religiosas não se aplica somente aos católicos e protestantes, etc. Em todas as religiões encontramos bandidos, pedófilos e charlatães usando e abusando da crença e da fé de muuuitos e muiiitos seres, que se dizem pensantes. O mais incrível é como as pessoas aceitam as palavras desses bandidos como máximas verdadeiras sem questionar uma vírgula, um ponto.
    Também nunca defendi o ateísmo, também acredito em energias e forças maiores que nos regem e regem tudo que nos rodeia. Agora, fica complicado entregar a nossa crença ou a de quem quer que seja para pessoas dessa ‘estirpe’.

    Por isso defendo a livre expressão de idéias, ideais, e, acima de tudo, a discussão delas para que não paremos nas mãos sujas de um ‘padreco pedófilo’ qualquer.

    ¬¬

  • Belo texto, Josi. E neste caso, pouco importa crença de cada um. O assunto é muito mais sério. Castigo não parece se aplicar nestes casos. Afinal de contas, vivemos numa sociedade que considera o clero, incontestável, intocável e imputável.

    Não é o que diz a constituição. Segundo consta, somos um país laico, mas infelizmente não é assim que as coisas funcionam na prática. As religiões ainda exercem uma influência muito grande sobre o estado. O que na minha opnião( e na opnião de quem tem o mínimo de bom senso), é uma tragédia.

    Felizmente existem pessoas que enxergam além.

    =*


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