relacionar-se. talvez não haja verbo mais complexo do que este, na língua portuguesa. relacionamento amoroso, entonces… no coments. apaixonar-se, iludir-se, desiludir-se, sorrir, chorar, querer, maltratar, conquistar, deixar… são tantas as ações envolvidas neste caso, que nem conseguiríamos descrevê-las, todas.
passemos a encarar os fatos: tu te apaixonas por um estranho. culturas diferentes, manias, defeitos e qualidades; inúmeros fatores a serem esclarecidos, conhecidos e analisados. imaginem esta situação quando resolvemos casar, e passamos a morar juntos. haja paciência, meodeos. no dia-a-dia, não há máscaras que perdurem. não há defeitos a serem ocultados. não há quem consiga manter o fogo aceso da paixão, ardentemente, horas por dia.
há algumas opções a serem seguidas: ou tu te acostumas com o companheiro(a), ou os dois vivem em pé de guerra, ou cada um vive sua vida de forma independente, mantendo em comum somente o mesmo teto. ou, por incrível que pareça, a paixão se acalma e vira… amor. um amor sereno. um amor que consegue lidar com as adversidades, que respeita as diferenças do outro. não falo daquele sentimento de conformância. ‘ah, me acostumei com ele(a), nem sei mais viver sozinha…’. a isso não chamo de amor: chamo de dependência. este tipo de relacionamento maltrata, prejudica, sufoca. falo de algo muito mais complexo, de ajuda mútua, de soma.
num relacionamento ‘estável’, não existem fórmulas secretas. cada indivíduo é diferente, e merece ser respeitado como tal. a isso chamo de amor. saber lidar com as limitações do outro, incentivar, motivar, saber o momento de falar e de calar, juntar roupas e toalhas espalhadas quando for necessário, mesmo quando não forem as nossas… porque no outro dia, a mesma cena pode se inverter. aprender com a sabedoria do outro, trocar, dividir experiências, ver com outros olhos.
nada disso é fácil, no andar da carruagem. não conseguimos tal serenidade e conhecimento num passe de mágica. e nada, nada disso garante uma relação eterna. porque, em alguns momentos, a vontade é de sumir, ou de jogar o outro pela sacada, ou porta afora. absolutamente normal. e são nestes momentos de fúria, de mágoa, que entra o respeito pelo outro. eu, particularmente, cuspo fogo. não fale comigo quando eu tou emputecida, porque as labaredas voam alto. é que nem merda no ventilador. preciso ficar quieta, no meu canto, até meu coração se acalmar e minha mente parar de enxergar tudo em vermelho. depois da crise e, provavelmente, de litros de lágrimas, conversamos.
e se nada disso for possível, largo o macho de mão. tou nem aí pro que os outros vão dizer. ninguém vive minha vida por mim, e geralmente quem paga minhas contas, sou eu.
mas enquanto eu me sentir respeitada, ouvida, valorizada, faço questão de retribuir da mesma forma. mesmo sendo desbocada e falando horrores a quem amo [sorry, joão, mas o 'vai tomar no cu' tá no piloto automático], no fundo sou uma baita manteiga derretida, e tenho um coração ‘bem maior de grande’. e espero que meu companheiro também se sinta assim: valorizado, respeitado e, acima de tudo, amado.
porque o amor não deve ser anunciado, somente. ele deve ser demonstrado, e sentido.
’soulmates never die’
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e hoje vi, na TV, o lançamento de mais um álbum da Cássia Eller. óbvio que já cacei na net, e já tou pirateando. mas, carããã… chorei ao vê-la ‘on tv’. por que tu foste morrer, mulé? agora tou com teu playlist, mode repeat, matando saudades. ê mundinho injusto, viu?
6 Comentários
Fevereiro 22, 2008 às 1:19 am
maravilha de texto!
como consegues te colocar no papel fico admirado e te amo cada vez mais.
Beijos….
Boa noite………………
Fevereiro 22, 2008 às 1:25 am
joão, não é papel… esta sou eu mesma, ou uma das muitas que habitam meu corpitcho sexy! =D
amo tu tumém, seu pestolento!
Fevereiro 23, 2008 às 12:51 am
Meu amore acima quando escrevi papel eu quis dizer folha de papel e não papel(representação). Fico admirado como te conheces e como te descreves de uma fora tão bela, uma poesia em prosa…
te amo,
beijos
Fevereiro 24, 2008 às 5:49 am
eu é que queria ter um amor assim…
*suspira*
e também achei triste a Eller ter morrido… morte besta né? T_T
Fevereiro 24, 2008 às 12:51 pm
dora, um dia, qdo menos esperares, tu cruzas com ele… o difícil não é encontrá-lo, e sim reconhecê-lo. =D
cássia, morte besta total. tanto corrupto ai q vive, e ela, bã…
Fevereiro 25, 2008 às 1:19 am
jô, perfeito o texto!
Se manter uma relação de ’simples’ namoro, nada tem de tão simples assim. Agora , imagino eu, num casamento. Cara, penso que respeito entre as pessoas, tende haver sempre. Independente de ideologias, valorizemos o ser humano ao nosso lado , acima de tudo.
=***